terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Apologética para hoje


postado por Felipe F. Inácio

Desde a era apostólica, o Cristianismo foi firmado com base na defesa da fé. Em cada circunstância foi necessária uma mudança de metodologia, apesar da doutrina em si permanecer a mesma.Entretanto, em nosso tempo a apologética tem se mostrada falha, ou até mesmo inexistente. Alguns recusam o confronto e assumem uma atitude bem esponjosa, ou seja, absorvem tudo que entra em contato. Outros parecem defender a fé como se estivessem gritando para surdos, sem trazer qualquer impacto ao mundo. Se a doutrina cristã permanece verdadeira, onde a sua defesa falhou?
No auge do iluminismo, a razão era a rainha da verdade. Os pensadores daquela época acreditavam fielmente que a ciência era capaz de desvendar qualquer mistério presente no mundo. Eles repudiaram a imposição da verdade pela Igreja e só julgavam algo verossímil desde que fosse racionalmente comprovado. A Reforma surgiu nesse contexto. Apesar de René Descartes, considerado o pai da modernidade, nascer bem depois de Lutero e Calvino o clima intelectual já era manifesto no ambiente reformado. O próprio Lutero negou uma retratação da sua doutrina em detrimento da sua razão. Assim, o Protestantismo cresceu juntamente com a modernidade.
Na medida em que o pensamento científico se desenvolvia, novas descobertas eram realizadas e algumas desafiavam os ensinamentos bíblicos. Por conseguinte, os cristãos se empenhavam em buscar uma resposta que não comprometesse nem a Bíblia, nem a Ciência. A apologética era baseada na apresentação de fatos. A lei da não-contradição era fundamental na modernidade. A noção de que se algo é verdadeiro o oposto é falso era fator central na argumentação. Logo, a apologética era realizada através da apresentação de fatos por meio de um pensamento antitético.
No entanto, o ideal iluminista foi se desmoronando por não conseguir dar respostas a todos os dilemas da humanidade. A esperança de se buscar a verdade, cada vez mais foi se acabando. O que se percebia, era uma série de discussões e apresentação de fatos que se contrariavam mutuamente. Hegel, um filósofo alemão, propôs então, a idéia de síntese. Colocando em termos bem práticos, ao invés da busca pela verdade ser baseada em algo verdadeiro e seu oposto falso, a síntese hegeliana propõe que a verdade será a fusão das duas proposições anteriormente contraditórias. Hegel não falou propriamente com essas palavras, mas foi esta a conseqüência de sua filosofia. Com o desenrolar desse pensamento, a verdade se tornou subjetiva, dependente do contexto cultural, político ou social. Em um diálogo não há mais uma pessoa certa e outra errada. Os dois, independente de sua proposição, chegam ao seu objetivo. Anteriormente, a verdade era cativa à razão, agora é estabelecida pela vontade humana. Não há mais uma busca pela verdade iluminista, mas sim de uma verdade existencial que proporcione satisfação do indivíduo.
Com a perda da noção de antítese, a apologética cristã se depara diante de novos desafios. Não faz sentido provarmos que o Cristianismo é verdadeiro por meios convencionais. O homem pós-moderno não está mais pedindo fatos que comprovem a nossa fé. Ele passa do fundamento racional para um fundamento emocional. Vemos que no meio cristão há duas posições errôneas. A primeira é tentar usar uma apologética modernista, discutindo a partir das provas. A segunda é abrir mão dos princípios bíblicos e dar ao homem a oportunidade de abraçar um cristianismo de acordo com seu perfil. Essas atitudes são bem notórias em igrejas tradicionais e neopentecostais, respectivamente.
Que poderíamos então fazer diante deste dilema humano? Duas atitudes registradas na Bíblia responderão bem a essa pergunta. A primeira é o modo de Paulo agir diante dos atenienses. O Apóstolo encontrou um ponto de contato dentro da cultura de Atenas. Quando aquele povo contemplava a natureza, eles viam traços divinos nela. Apesar de adorarem a muitos deuses, os atenienses não estavam satisfeitos, eles sentiam que estava faltando algo. A atitude deles em fazer um altar ao “deus desconhecido” mostrou que dentro do coração deles existia a idéia de um Deus diferente dos demais. Paulo apresentou o “deus desconhecido” como o Ser Supremo, Criador do Universo e único Senhor. Outro fato que requer nossa atenção é a própria atitude de Jesus Cristo. O Deus-filho assumiu a forma humana, sentiu as mesmas tribulações que nós, participou da nossa dor e andou conosco, apesar de ter vivido sem pecado. Por mais que Ele assumisse um corpo inferior e vivesse rodeado de pecadores, Cristo não temeu assumir nossa forma.
Se realmente quisermos ter uma apologética relevante hoje, devemos observar esses dois exemplos. Os “atenienses” de hoje procuram por algo que dê sentido a existência humana. Algo que venha abarcar todas as áreas da vida. Que apresente um mundo melhor. Quando o homem encontrar no Cristianismo as respostas de todas as suas perguntas, ele não verá necessidade em procurar outros caminhos e assumirá que a doutrina cristã é verdadeira. Se eles procuram a “verdade que funciona”, então mostraremos que somente o Cristianismo funciona perfeitamente em tudo. No entanto, ficaremos inertes se permanecermos distantes. Se não assumirmos a mesma atitude de Cristo vindo a Terra. Se não participarmos da dor que sente o coração do homem. Se insistirmos em agir com uma intelectualidade teórica, continuaremos a gritar sem que ninguém nos ouça e se deixarmos que o cristianismo seja transformado de acordo com a vontade humana, este só será mais um entre todos os outros credos. Portanto, é necessário que a defesa do Cristianismo preencha todos os espaços vazios do homem e venha a ser pregado em sua linguagem.

7 comentários:

Anônimo disse...

belo texto, saiu ate no bereianos


claudio pimenta

Apologia e Espiritualidade disse...

Gostei muuito da enfase de uma metodologia firme e consistente para os dias de hoje?
O que vc sujere?
Gostei muito do texto meu nobre amigo!

em Cristo,

Onesimo Mesquita.

André Galleano disse...

Muiito boomm, Cristo, nesses ultimos dias, só eleva muito mais o seu propósito eterno, levantando "loucos" para transformarem o altar de "deus desconhecido" em Glória de um Deus Supremo....

....Deus abençoe nobrissimo Onésimo!!! Em Cristo...

Felipe Inácio disse...

Cláudio Pimenta
Obrigado reverendo! Eu vi postado lá nos bereianos tbem. Me senti mto honrado. A propósito o comentário que tá lá naum eh seu eh!?rsrsrs

Onésimo
Grande missionário entre as nações!
Nossa metodologia deve conciliar as Escrituras com a atualidade, sem que nenhuma das partes seja suplantada. Essa postagem é fruto de boas conversas filosóficas e boas fontes de pesquisa vindas de você!
Um grande abraço!

André Galeno
Pela misericórdia divina, Cristo, nos outorgou essa capacidade de pregar a Verdade que permanece de geração em geração!

Agradeço pelos comentários
Felipe Inácio
Soli deo gloria!!!


P.S.: Peço desde já perdão pela demora em responder, estou viajando e fica difícil entrar na internet.

Ronys disse...

parabéns vaso muito bem colocado suas palavras. estamos mais do que nunca precisando ser apologeta da Verdade nesses últimos dias.
Fica na Paz!

Johnnyson disse...

-A Defesa Da Fé Além Da Intelectualidade Aparente!A Busca Da Verdade Sem Recorrer Aos Métodos Pós-Modernistas!O Desprezo À Razão Como Única Prova Da Verdade! (Na Verdade A própria Ciência Tem Cedido Através Da História A Estes Meios).
-Daí Surge A Idéia De Que Os Pentecostais São Movidos Pela Emoção. E Afinal O Que Seria A Vida Sem Emoção? Ou, Quem É Que Governa, Quem É Que Domina, O Mundo Sensível Ou O Insensível? Não Temos nós Razão De Nos Emocionarmos, De Nos Deixar Comover-Nos Pelo Amor Que Nos Constrange!
-A Peroração É Que Nossas Emoções Não São Vazias, Não Fundamentam-Se Em Assuntos Inertes, Antes Defendemos Uma Doutrina Que Por Si Só Confirma-Se E Preenche A Eternidade De Todos Os Atenienses, Tanto Os Primeiros, Quanto Mais Os Contemporâneos. Ela Preeeenche!!

Apologia e Espiritualidade disse...

Johnnyson,
Bem observado sua colocação.
Espero que continue nos visitando. Estamos atualizando o blog esses dias.
Em Cristo,
Felipe Inácio