terça-feira, 2 de março de 2010

Missão Integral: Uma pequena viagem


Postado por: Diêison O. Pereira

A visão de missão integral se enquadra a muitos aspectos sobre evangelização e ação social, na qual, passam a focalizar sua fundamentação e aplicação à luz da prática pastoral e missionária. Partimos de um princípio básico onde encontramos muitas diferenciações entre a responsabilidade tanto Evangelística como Social. Agora, será que Evangelização e Ação Social são distintas em termo de responsabilidade humana sem que nos tornemos culpados de distorcer as palavras de Jesus? Digo que o real não está apenas no coração humano, mas também nas estruturas sociais. A missão de todos e principalmente das igrejas inclui tanto na proclamação do Evangelho quanto sua demonstração. Precisamos, pois, evangelizar e de responder as necessidades humanas imediatas e trabalhar por transformações sociais.
Não há dicotomia bíblica entre a palavra falada e a palavra que se faz visível na vida do povo de Deus. Os homens olharão ao escutarem, e o que eles viverem deve estar em consonância com o que ouvem. Há tempos em que nossa comunicação pode dar-se por apenas atitudes e ações, e há outros em que a palavra falada estará só: mas precisamos repudiar como demoníaca a tentativa de impor uma linha entre a evangelização e a preocupação social. A missão integral é a sinalização histórica do reino de Deus, que será consumado na eternidade. A igreja, o corpo de Cristo, é o instrumento prioritário através do qual Jesus, o cabeça, exerce seu domínio sobre todas as coisas, no céu, na terra e debaixo da terra, não apenas neste século mas também no vindouro.
Sua missão aqui agora é a manifestação do Reino como uma realidade presente em sua própria pessoa e ação, em sua pregação do evangelho e em suas obras de justiça e misericórdia. Portanto, tornar o Reino de Deus historicamente visível como uma realidade presente, não é ter um mero apêndice da missão, mas uma parte integral da manifestação imediata do Glória do Pai: elas apontam para o reino que já veio e para o que está por vir.
Ser um sinal histórico do reino de Deus, levando o evangelho todo para o homem todo, priorizando relacionamentos envolvendo todos os seus freqüentadores além dos limites, Culto-Clero-Domingos-Templo.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Apologética para hoje


postado por Felipe F. Inácio

Desde a era apostólica, o Cristianismo foi firmado com base na defesa da fé. Em cada circunstância foi necessária uma mudança de metodologia, apesar da doutrina em si permanecer a mesma.Entretanto, em nosso tempo a apologética tem se mostrada falha, ou até mesmo inexistente. Alguns recusam o confronto e assumem uma atitude bem esponjosa, ou seja, absorvem tudo que entra em contato. Outros parecem defender a fé como se estivessem gritando para surdos, sem trazer qualquer impacto ao mundo. Se a doutrina cristã permanece verdadeira, onde a sua defesa falhou?
No auge do iluminismo, a razão era a rainha da verdade. Os pensadores daquela época acreditavam fielmente que a ciência era capaz de desvendar qualquer mistério presente no mundo. Eles repudiaram a imposição da verdade pela Igreja e só julgavam algo verossímil desde que fosse racionalmente comprovado. A Reforma surgiu nesse contexto. Apesar de René Descartes, considerado o pai da modernidade, nascer bem depois de Lutero e Calvino o clima intelectual já era manifesto no ambiente reformado. O próprio Lutero negou uma retratação da sua doutrina em detrimento da sua razão. Assim, o Protestantismo cresceu juntamente com a modernidade.
Na medida em que o pensamento científico se desenvolvia, novas descobertas eram realizadas e algumas desafiavam os ensinamentos bíblicos. Por conseguinte, os cristãos se empenhavam em buscar uma resposta que não comprometesse nem a Bíblia, nem a Ciência. A apologética era baseada na apresentação de fatos. A lei da não-contradição era fundamental na modernidade. A noção de que se algo é verdadeiro o oposto é falso era fator central na argumentação. Logo, a apologética era realizada através da apresentação de fatos por meio de um pensamento antitético.
No entanto, o ideal iluminista foi se desmoronando por não conseguir dar respostas a todos os dilemas da humanidade. A esperança de se buscar a verdade, cada vez mais foi se acabando. O que se percebia, era uma série de discussões e apresentação de fatos que se contrariavam mutuamente. Hegel, um filósofo alemão, propôs então, a idéia de síntese. Colocando em termos bem práticos, ao invés da busca pela verdade ser baseada em algo verdadeiro e seu oposto falso, a síntese hegeliana propõe que a verdade será a fusão das duas proposições anteriormente contraditórias. Hegel não falou propriamente com essas palavras, mas foi esta a conseqüência de sua filosofia. Com o desenrolar desse pensamento, a verdade se tornou subjetiva, dependente do contexto cultural, político ou social. Em um diálogo não há mais uma pessoa certa e outra errada. Os dois, independente de sua proposição, chegam ao seu objetivo. Anteriormente, a verdade era cativa à razão, agora é estabelecida pela vontade humana. Não há mais uma busca pela verdade iluminista, mas sim de uma verdade existencial que proporcione satisfação do indivíduo.
Com a perda da noção de antítese, a apologética cristã se depara diante de novos desafios. Não faz sentido provarmos que o Cristianismo é verdadeiro por meios convencionais. O homem pós-moderno não está mais pedindo fatos que comprovem a nossa fé. Ele passa do fundamento racional para um fundamento emocional. Vemos que no meio cristão há duas posições errôneas. A primeira é tentar usar uma apologética modernista, discutindo a partir das provas. A segunda é abrir mão dos princípios bíblicos e dar ao homem a oportunidade de abraçar um cristianismo de acordo com seu perfil. Essas atitudes são bem notórias em igrejas tradicionais e neopentecostais, respectivamente.
Que poderíamos então fazer diante deste dilema humano? Duas atitudes registradas na Bíblia responderão bem a essa pergunta. A primeira é o modo de Paulo agir diante dos atenienses. O Apóstolo encontrou um ponto de contato dentro da cultura de Atenas. Quando aquele povo contemplava a natureza, eles viam traços divinos nela. Apesar de adorarem a muitos deuses, os atenienses não estavam satisfeitos, eles sentiam que estava faltando algo. A atitude deles em fazer um altar ao “deus desconhecido” mostrou que dentro do coração deles existia a idéia de um Deus diferente dos demais. Paulo apresentou o “deus desconhecido” como o Ser Supremo, Criador do Universo e único Senhor. Outro fato que requer nossa atenção é a própria atitude de Jesus Cristo. O Deus-filho assumiu a forma humana, sentiu as mesmas tribulações que nós, participou da nossa dor e andou conosco, apesar de ter vivido sem pecado. Por mais que Ele assumisse um corpo inferior e vivesse rodeado de pecadores, Cristo não temeu assumir nossa forma.
Se realmente quisermos ter uma apologética relevante hoje, devemos observar esses dois exemplos. Os “atenienses” de hoje procuram por algo que dê sentido a existência humana. Algo que venha abarcar todas as áreas da vida. Que apresente um mundo melhor. Quando o homem encontrar no Cristianismo as respostas de todas as suas perguntas, ele não verá necessidade em procurar outros caminhos e assumirá que a doutrina cristã é verdadeira. Se eles procuram a “verdade que funciona”, então mostraremos que somente o Cristianismo funciona perfeitamente em tudo. No entanto, ficaremos inertes se permanecermos distantes. Se não assumirmos a mesma atitude de Cristo vindo a Terra. Se não participarmos da dor que sente o coração do homem. Se insistirmos em agir com uma intelectualidade teórica, continuaremos a gritar sem que ninguém nos ouça e se deixarmos que o cristianismo seja transformado de acordo com a vontade humana, este só será mais um entre todos os outros credos. Portanto, é necessário que a defesa do Cristianismo preencha todos os espaços vazios do homem e venha a ser pregado em sua linguagem.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010


O Conhecimento que Prescisamos!
Postado por Onésimo Mesquita

O conhecimento de Deus não está posto em fria
especulação, mas lhe traz consigo o culto".


- As Institutas, I.12.1

terça-feira, 13 de outubro de 2009

A Salvação vem do Senhor!

Meus nobres amigos e irmãos em Cristo.

Devido minha estadia na cidade de Assunção, capital do Paraguai, em um trabalho missionario de ensino e evangelização. Estarei um pouco ocupado e não poderei nesses dias escrever com mais frequencia.

Quando chegar de volta ao Brasil, já quero voltar a expor mais da Teologia Reformada e Espiritualidade da Palavra.


Em Cristo,

Onésimo Mesquita.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

O Grito do Mercado e a Resposta da Igreja II.

Postado por Onésimo Mesquita.

Dando continuidade ao post passado, quero fazer uma reflexão de como a igreja contemporânea tem respondido aos desafios de nosso tempo. Em alguns pontos de maneira muito errônea, negociando a verdade, por aceitação no mercado religioso. E dessa forma, para serem aceitas no mercado, algumas igrejas tem que comercializar objetos da religião, fazendo tudo para agradar o freguês. Mais por outro lado o autentico evangelho de Cristo jamais poderá ser vendido.

A Pregação como venda de objetos religiosos.

O cenário está ajeitado, a filosofia do momento é o sincretismo, o ensino é a cartilha da prosperidade. Com esse pano de fundo não poderia se esperar outro tipo de pregação. É anunciado que se todos passarem a congregar em determinada igreja, que não é como as outras que só falam de sofrimento, com tal conversa de “pecado original”, eles terão a “benção de Deus” que significa ser prospero em todas as áreas da vida; prosperidade tal que não passaremos por sofrimentos e dores aqui, pois tudo já nos é dado na morte de Cristo. A essência da mensagem é um tipo de escatologia realizada com ênfase na prosperidade financeira.
Para se obter essa prosperidade o devoto tem que fazer uso de “amuletos religiosos” que se usadas corretamente aumentaram a fé do devoto, que fará com que as bênçãos o alcancem. Esses objetos podem ser sempre dos mais diversos, como sal, rosa, copo com água, e ate mesmo redesenhar a arca da aliança, tudo isso com uma pregação altamente persuasiva, uma hermenêutica sempre dos mesmos versos e esses versos por sua vez sempre fora de seus contextos, abrindo mão de anunciar a verdade. Só resta esse tipo de pregação e ação para algumas igrejas que não conseguiram renunciar seus status e com isso perderam sua autoridade espiritual e já não conseguem serem testemunhas fieis do evangelho.

A Palavra da Cruz: Como resposta da Igreja.

Terminei o post de introdução sobre esse assunto, dizendo que a resposta da igreja é marcada pelas evidências da Encarnação, pois o mundo continua dizendo como Tomé “Se eu não vir o sinal dos cravos em suas mãos, e não puser o dedo no lugar dos cravos, e não puser a minha mão no seu lado, de maneira nenhuma o crerei.” Essa é de fato a incredulidade de um mundo que não conhece o Cristo crucificado.
Sabendo disso, temos que pregar e responder a este mundo com fidelidade ao Senhor, e creio que nosso desafio é o mesmo que Paulo enfrentou em Corinto no século I. Ele enfrentou uma situação onde as pessoas perguntavam por sinais e sabedoria, ele diz:

Porque os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria; ¹

Essa situação é idêntica há de nossos dias, o desejo desenfreado pelo milagre e a busca por sabedoria é reflexo do coração do Homem, de seu vazio espiritual. E com isso a resposta do Mercado religioso é uma tentativa de agradar a gregos e judeus, que acaba tornado a mensagem do evangelho em sincretismo místico.
A resposta da igreja de Cristo deve ser a mesma do Apóstolo, que não se envergonhou do evangelho, mais declarou:



Mas nós pregamos a Cristo crucificado,
que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos.
²

e em outro lugar ele diz mais:


Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego.³

Essa é a ousadia de quem tem convicção do seu chamado e responsabilidade diante de Deus.

Essa é nossa pregação, que é embasada no texto bíblico e confiante na ação poderosa do Espírito de Deus. Uma pregação que apresenta às marcas do corpo do Senhor, em resposta a incredulidade do mundo que age ainda como Tomé. Pregando dessa forma as evidencias da Encarnação de Cristo será notória por um viver que é coerente com sua proclamação. Que o Senhor nos use em sua misericórdia para darmos as razões de nossa Esperança. Solus Cristus!
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¹ I Co 1.22
²I Co 1.23
³ Rm 1.16