terça-feira, 24 de março de 2009

Lei de Deus

Postada por Onésimo Mesquita
“Deus só é corretamente servido quando sua lei for obedecida. Não se deixa a cada um a liberdade de codificar um sistema de religião ao sabor de sua própria inclinação, senão que o padrão de piedade deve ser tomado da Palavra de Deus”. (João Calvino, O livro de Salmos, São Paulo, Parakletos, 199, Vol 1, p.53)

quinta-feira, 12 de março de 2009

A manhã em que eu ouvi a voz de Deus - John Piper


Deixem-me falar-lhes sobre uma experiência das mais maravilhosas que eu tive na manhã de segunda-feira, 19 de março de 2007, pouco depois das seis da manhã. Deus falou de verdade comigo. Não há nenhuma dúvida de que era Deus. Eu ouvi as palavras em minha cabeça com a mesma clareza com que a memória de uma conversa passa pela consciência. As palavras eram em inglês, mas elas tinham sobre si uma absoluta auto-autenticação da verdade. Eu estou certo sem a menor sombra de dúvida de que Deus ainda fala hoje.

Eu não conseguia dormir por alguma razão. Eu estava em Shalom House no norte de Minnesota em um retiro de casais. Eram aproximadamente cinco e trinta da manhã. Fiquei lá deitado decidindo se eu deveria me levantar ou esperar até que pegasse no sono novamente. Por Sua misericórdia, Deus me tirou da cama. Estava ainda muito escuro, mas eu consegui achar minha roupa, vesti-me, peguei minha pasta, e saí suavemente do quarto sem acordar Nöel [esposa de John Piper – N.T.]. Na sala principal lá embaixo, estava tudo absolutamente tranqüilo. Ninguém mais parecia estar acordado. Assim eu me sentei em um sofá num canto para orar.

Enquanto eu orava e meditava, de repente aconteceu. Deus disse, "Venha e veja o que eu fiz." Não havia a menor dúvida em minha mente de que estas eram mesmo palavras de Deus. Naquele mesmo instante. Naquele mesmo lugar no século vinte e um, no ano 2007, Deus estava falando comigo com autoridade absoluta e realidade auto-evidenciada. Eu parei para tentar entender a dimensão do que estava acontecendo. Havia uma doçura naquilo tudo. O tempo parecia ter pouca importância. Deus estava próximo. Ele estava me vendo. Ele tinha algo a dizer para mim. Quando Deus se aproxima, a pressa deixa de existir. O tempo pára.

Eu queria saber o que ele quis dizer com "Venha e veja". Ele me levaria a algum lugar, como fez com Paulo levando-o ao céu para ver aquilo que não pode ser descrito? Será que “ver” significava que eu teria uma visão de alguma grande obra de Deus que ninguém jamais havia visto? Não estou certo de quanto tempo decorreu entre a palavra inicial de Deus, "Venha e veja o que eu fiz", e as palavras seguintes. Não importa. Eu estava sendo envolvido no amor da comunicação pessoal com Ele. O Deus do universo estava falando comigo.
Então ele disse, tão claramente quanto qualquer palavra que alguma vez tenha entrado em minha mente: "Fiz coisas tremendas para com os filhos dos homens!". Meu coração acelerou, "Sim, Senhor! Tu és tremendo em todas as tuas obras. Sim, para com todos os homens quer eles percebam isto ou não. Sim! E agora? O que mais me mostrarás?"

As palavras vieram novamente. Tão claramente quanto antes, mas cada vez mais específicas: "Converti o mar em terra seca; atravessaram o rio a pé; ali, eles se alegraram em Mim”. De repente percebi que Deus estava me levando de volta milhares de anos no tempo, até a época em que ele secou o Mar Vermelho e o Rio Jordão. Eu estava sendo transportado na história, pela palavra dEle, até essas grandes obras. Era isso que Ele queria dizer quando disse "Venha e veja". Ele estava me conduzindo ao passado pelas Suas palavras até essas duas gloriosas obras que ele fez diante de crianças e homens. Estas eram as "coisas tremendas" a que Ele havia se referido. O próprio Deus estava narrando as poderosas obras de Deus. Ele estava fazendo isso para mim. Ele fazia isto com palavras que estavam ressoando em minha própria mente.

Então me cobriu uma maravilhosa reverência. Uma palpável paz desceu sobre mim. Este era um momento santo e um lugar santo do mundo ali no norte de Minnesota. O Deus Todo-Poderoso tinha descido e estava me dando a quietude, a abertura e a disposição de ouvir a Sua voz. Enquanto eu me maravilhava do Seu poder para secar o mar e o rio, ele falou novamente: "Os meus olhos vigiam as nações, não se exaltem os rebeldes."

Isso era empolgante. Era muito sério. Era quase uma repreensão. No mínimo uma advertência. Ele poderia da mesma forma ter me arrastado pelo colarinho, me erguido do chão com uma mão, e ter dito, com uma mistura incomparável de ferocidade e amor, "Nunca, nunca, nunca te exaltes a ti mesmo. Nunca te rebeles contra mim."

Eu sentei, olhando para o vazio. Minha mente estava cheia da glória universal de Deus. "Meus olhos vigiam as nações." Ele tinha dito isto para mim. Não era só que ele tinha dito. Sim, isso já seria glorioso. Mas ele tinha dito isto para mim. As próprias palavras de Deus estavam em minha cabeça. Elas estavam lá em minha cabeça da mesma maneira que as palavras que eu estou escrevendo neste momento estão na minha cabeça. Elas foram ouvidas tão claramente quanto se neste momento eu recordasse que minha esposa havia dito, "Desça para jantar assim que estiver pronto." Eu sei que aquelas são palavras da minha esposa. E eu sei que estas são palavras de Deus.

Pense nisso. Maravilhe-se com isso. Trema diante disso. O Deus cujos olhos vigiam as nações, como algumas pessoas vigiam o gado ou o mercados de ações ou locais de construção - esse Deus ainda fala no século vinte e um. Eu ouvi as próprias palavras dEle. Ele falou pessoalmente comigo.

Que efeito teve isso sobre mim? Encheu-me de um senso renovado da realidade de Deus. Assegurou-me mais profundamente de que ele age na história e no nosso tempo. Fortaleceu minha fé de que ele é por mim e cuida de mim e usará o seu poder universal para tomar conta de mim. Por que mais ele viria e me contaria essas coisas?

Aumentou meu amor pela Bíblia como a verdadeira palavra de Deus, porque foi pela Bíblia que eu ouvi estas palavras divinas, e através da Bíblia eu tenho experiências como estas quase diariamente. O próprio Deus do universo fala em cada página à minha mente – e à sua mente também. Nós ouvimos as Suas próprias palavras. Deus mesmo multiplicou as Suas obras e Seus pensamentos maravilhosos para nós; ninguém pode se comparar a ele! Eu quisera anunciá-los e deles falar, mas são mais do que se pode contar. (Salmo 40:5).

E, melhor de tudo, eles estão disponíveis a todos. Se você quiser ouvir as mesmas palavras que eu ouvi no sofá no norte de Minnesota, leia o Salmo 66:5-7. Foi ali que eu as ouvi. Quão preciosa é a Bíblia. É a própria palavra de Deus. Nela Deus fala em pleno século vinte e um. Ela é a própria voz de Deus. Por esta voz, Ele fala com verdade absoluta e força pessoal. Por esta voz, Ele revela a Sua transcendente beleza. Por esta voz, Ele revela os segredos mais profundos de nossos corações. Nenhuma voz pode em qualquer lugar e a qualquer tempo ir tão fundo ou erguer-se tão alto ou levar tão longe quanto a voz de Deus que nós ouvimos na Bíblia.

É uma grande maravilha que Deus ainda fale hoje através da Bíblia com maior força, maior glória, maior certeza, maior doçura, maior esperança, maior orientação, maior poder transformador e maior verdade cristocêntrica do que pode ser ouvida de qualquer voz em qualquer alma humana no planeta fora da Bíblia.

É por isso que fiquei triste com o artigo “My Conversation with God” (“Minha Conversa com Deus” – N.T.) na Christianity Today (Cristianismo Hoje – N.T.) deste mês. Escrito por um professor anônimo de uma "conhecida Universidade Cristã", conta a sua experiência de ouvir Deus. O que Deus disse era que ele deveria dar todos os royalties de um novo livro para pagar os estudos de um estudante necessitado. O que me deixa triste sobre o artigo não é que não é verdade ou que não aconteceu. O que me entristece é que realmente dá a impressão de que a comunicação extra-bíblica com Deus é infinitamente maravilhosa e fortalecedora da fé. O tempo todo, a supremamente gloriosa comunicação do Deus vivo que pessoalmente e poderosamente e transformadoramente explode todos os dias no coração receptivo através da Bíblia é ignorada em absoluto silêncio.

Tenho certeza que esse professor de teologia não quis dizer isso deste modo, mas o que ele disse de fato foi: "Durante anos ensinei que Deus ainda fala hoje, mas não pude testemunhar isso pessoalmente. Eu só posso fazer isso agora de forma anônima, por razões que eu espero fiquem claras" (ênfase acrescentada por Piper). Certamente ele não quer dizer o que ele parece inferir – que somente quando a pessoa ouve uma voz extra-bíblica como, "O dinheiro não é seu", você pode testemunhar pessoalmente que Deus ainda fala. Seguramente ele não pretende depreciar a voz de Deus na Bíblia que fala neste mesmo dia com poder, verdade, sabedoria, glória, alegria, esperança, maravilha e utilidade, dez mil vezes mais decisivamente que qualquer coisa que possamos ouvir fora da Bíblia.

Eu me aflijo com o que está sendo comunicado aqui. A grande necessidade de nosso tempo é que as pessoas experimentem a realidade viva de Deus ouvindo a Sua Palavra pessoalmente e de forma transformadora nas Escrituras. Algo está inacreditavelmente errado quando as palavras que nós ouvimos fora da Bíblia são mais poderosas e mais influentes para nós do que a Palavra inspirada de Deus. Clamemos com o salmista: "Inclina-me o coração aos teus testemunhos (Salmo 119:36)". "Desvenda os meus olhos, para que eu contemple as maravilhas da tua lei (Salmo 119:18)". Que sejam iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos e conheçais o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus (Efésios 1:18; 3:19). Ó Deus, não nos deixes sermos tão surdos à tua Palavra e tão indiferentes à Sua inefável excelência evidencial a ponto de celebramos coisas menores como mais emocionantes, e até mesmo considerarmos esse maravilhar-se completamente fora de lugar merecedor de ser impresso em uma revista de circulação nacional.

Ainda ouvindo a Sua voz na Bíblia,

Pastor John

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Deus: A verdadeira “Alethéia” do pensamento Histórico-Filosófico

Postado por Paulo César do N. Pereira.

“E conhecereis a Verdade, e a Verdade vos libertará” (Jo 8:32)

Introdução

Ao longo da história da humanidade, o homem buscou diversas formas de determinar sua resposta sobre a essência do surgimento da vida. Quando falamos de Filosofia e Religião tocamos em dois campos da reflexão e da vivência humana, que na forma de argumentação cognitiva, se interagem. Assim podemos analisar a origem do pensamento histórico-filosófico baseando-se na linha teológica cristã na sua tradicional vertente ocidental:
A Filosofia Grega, que tem como base os pensamentos dos filósofos helênicos e o Cristianismo: expressão de fé que marcou o mundo.
No período medieval, com a preposição das estruturas hierárquicas de poder da instituição Igreja e o surgimento das escolas cristãs para o fortalecimento do conhecimento teológico.
O período humanista, caracterizado pela destituição da fé, aderindo assim, o contexto cientifico-racional como proposta sistematizada de moralidade humana e a superação da fé cristã através da Reforma teológica do protestantismo.
E o período pós-moderno, o descaso da corrente existencialista, destituindo a teologia dos fundamentos morais da sociedade e criando uma continuidade angustiada e pessimista através do materialismo e a reviravolta de novas doutrinas cristãs adequando a contexto evangelístico.

1. Período Grego: Destituição do Politeísmo Mitológico pela Superação Cristã.

Os gregos destacaram-se pelo desenvolvimento do pensamento humanista e as correntes epistemológicas que se desencadearam até hoje no mundo ocidental. Sua cultura apresentada pela unicidade regional que englobava a política, religião e filosofia. A distribuição das Pólis propunha intensas disputas pela unificação absoluta do poder. Na religião, os helênicos determinaram um conjunto de personagens mitológicos que detinham autonomia na cultura local, caracterizados por cada cidade-estado, enaltecendo cada região, numa disputa não teológica, mas uma rivalidade de poder e conquista do outro. Assim, os dogmas teológicos desta “religião” ficaram de lado, sendo valorizada a força política da nação. Fenômenos físicos e naturais, a necessidade da finalidade de adoração, o propósito de vida perderam consistência.
Após a conclusão profética da chegada de Cristo e o anuncio da Boa Nova deu-se propulsão a uma nova visão de fé e a verdadeira chave da vida foi revelada para o mundo. Surge Jesus Cristo, o Verbo encarnado, apresentando a verdadeira missão dos homens, destituindo a ciência filosófica agnóstica através de seu evangelho. Não mais vários deuses que disputavam entre si a hegemonia celestial e a obediência humana, mas um único Deus, regido pela Trindade Santa. Assim, apresenta-se ao mundo a figura de Paulo de Tarso, grande perseguidor dos cristãos remanescentes, agora desvelado pela luz Espírito Santo, que instaura o processo de conversão de todo povo grego. Rebatendo o panteísmo e destituindo correntes filosóficas pagãs: “...E alguns dos filósofos epicureus e estóicos contendiam com ele; e uns diziam: Que quer dizer este paroleiro? E outros: Parece que é pregador de deuses estranhos; porque lhes anunciava a Jesus e a ressurreição...” (Atos 17:18-34).

2. O Período das Trevas e a força da luz cristã.

A Idade Media caracterizou-se pela expansão do cristianismo em todo Império Romano e a ascensão do pensamento filosófico-teológico derivado da linha platônica pelo filósofo patrístico Agostinho de Hipona e o racionalismo aristotélico de Tomás de Aquino através do pensamento escolástico.
A instituição Igreja Católica se estabelece como detentora de todo o pensamento filosófico-cristão com base em argumentos de filósofos gregos como Platão e Aristóteles. Porém, a mesclagem do poderio religioso com o monopólio político remonta um outro cenário da vivência da Palavra de Deus. O fortalecimento do ensino intelectual se restringe a somente aos líderes religiosos proporcionando aos leigos à aceitação dos dogmas imposta pela Igreja.
Agostinho, neoplatonista, confessava ver em Platão um cristianismo em potencial, como fica evidenciado nesta passagem emblemática de seu livro As Confissões: “(...) Neles li, não com estas mesmas palavras, mas provado com muitos e numerosos argumentos, que ao princípio era o Verbo e o Verbo existia em Deus e Deus era o Verbo: e este, no princípio, existia em Deus. Todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada foi criado. O que foi feito, n’Ele é vida, e a vida era a luz dos homens e as trevas não a compreenderam(...) Do mesmo modo, li neste lugar, que o Verbo de Deus não nasceu da carne e do sangue, nem da vontade do homem, mas de Deus(...)Lá encontrei ‘que o vosso filho Unigênito, eterno como Vós, permanece imutável antes de todos os séculos e sobre todos os séculos, que, para serem bem-aventuradas, todas as almas recebem da sua plenitude, e que, para serem sábias, são renovadas pela participação da Sabedoria que permanece em si. (...)”
Outros pensadores medievais propuseram novas visões ao cristianismo, estabelecendo assim, contextualização nos textos bíblicos.
De fato, anúncio do evangelho não perdeu sua força e sua eficácia, dando início onde mais tarde conheceremos como a reforma protestante perante o absolutismo católico.

3. Período Moderno: soberania da razão humana e a reforma do pensamento teológico.

A fase humanista vem à tona, uma onda do predomínio ao uso da razão como base de resposta teológica, cerne da discussão científica, põe em risco ao desenvolvimento do evangelho verdadeiro a luz da inspiração pelo Espírito Santo. O absolutismo regerá as grandes nações européias, o ápice do domínio da Igreja Católica na cultura, política e teologia.
Grandes pensadores da época, não mais colocarão o regimento das escrituras como fonte de inspiração humana, mas o método científico-racional como prova material da busca pela essência filosófico-teológica. O materialismo histórico e a cultura do sistema positivista de desenvolvimento das sociedades capitalistas posicionam como fontes de verdade e esperança ao povo sofrido.
Diante esta realidade, apresenta-se uma revolução ao pensamento cristão, resgatando a Igreja verdadeira de Cristo, novos teólogos dissidentes da perseguição aos verdadeiros cristãos rebelam-se contra a Igreja Católica, na qual ia de encontro a pensamento de Deus, e despertam para si uma nova reforma no pensamento cristão. Uma Igreja que utiliza a Palavra de Deus como fonte única de inspiração humana: "Mas nem em todos há conhecimento; porque alguns até agora comem, no seu costume para com o ídolo, coisas sacrificadas ao ídolo; e a sua consciência, sendo fraca, fica contaminada." (I Coríntios 8: 7). Ocorre a libertação dos cativos cristãos perante a face dominadora da Filosofia pagã e da falsa teologia e Cristo: "Na esperança de que também a mesma criatura será libertada da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus." (Romanos 8: 21). Assim, a única resposta ao designo da vida está no Deus Trino, aquele que não oprime mais que liberta: "A pregar liberdade aos cativos, e restauração da vista aos cegos, a pôr em liberdade os oprimidos, há anunciar o ano aceitável do SENHOR." (Lucas 4: 19).

4. O Liberalismo pós-moderno e a esperança da Igreja de Cristo.

Convencionou-se chamar pós-industrial a era iniciada na década de 1950, logo após o término da segunda guerra mundial, quando as grandes potências retomaram a busca do progresso material e se lançaram a uma corrida pela superação técnica. No domínio do conhecimento, o período pós-moderno caracterizou-se por uma profunda modificação na própria natureza das ciências, sob o impacto da evolução da tecnologia.
Grandes nações européias determinam o capitalismo como fonte única de engrandecimento político-social. Os indivíduos não detêm em si à necessidade da crença no Deus trino e salvador e visam a uma teoria pragmática de vida. Apesar de constituir um movimento aberto e antidogmático, e ainda que seus teóricos não tenham elaborado um sistema completo, há traços gerais comuns entre seus defensores. Para os pragmatistas, a vontade antecipa-se ao pensamento. O conhecimento é concebido como essencialmente modificador da realidade, portanto, a construção da verdade deve corresponder à construção da própria realidade.
O traço mais peculiar do saber pós-moderno - o fato de definir ele próprio às regras que o legitimam - aproxima procedimentos científicos de procedimentos políticos, tornando as diferenças entre ambos cada vez mais difusas. Os critérios de legitimação do saber se confundem com os critérios do poder. A razão pós-moderna opõe, às categorias tradicionais da filosofia, novas categorias teóricas, como aumento de potência, eficácia, otimização do desempenho etc. A atividade científica, vista tradicionalmente como ato de liberdade do espírito humano, dá lugar a uma tecnologia intelectual subordinada a interesses.
Diante disso, em contrapartida, novos doutores da teologia cristã, surgidos nas maiores Universidades do mundo realizam uma análise profunda ao pensamento contemporâneo e a solução cristã de uma vida justa e digna. Nomes como Francis Schaeffer, Greg Bahnsen através da visão da Teonomia para libertação do mundo ao processo da globalização, e Herman Dooyeweerd que em uma série de brilhantes artigos, analisou, historicamente e filosoficamente, as questões complicadas da causalidade jurídica, culpa, responsabilidade, propriedade, e fontes da lei. Desde o princípio, porém, ele insistiu em ver estas questões legais, como também questões de política e sociedade, no contexto de uma teoria mais ampla da natureza e destino do homem (antropologia), do ser e da ordem (ontologia), e do conhecimento e suas fontes (epistemologia).
A superação da época derrocada pelo liberalismo, consumismo, neo-ceticismo, será o cerne da discurssão teológica cristã. Em não mais crer na liberdade humana por si só, pela auto-suficiência humana, e do livre-arbítrio, mas crer sim, na liberdade humana proposta pelo Pai aos seus filhos, na auto-suficiência de Deus em nossas vidas, e o livre-arbítrio de Deus por nós, pois somente Ele tem a real onisciência de guiar nossa vida com digna, benignidade e prudência.

5. Conclusão

Concluo na certeza da esperança humana diante os fatos históricos apresentados que resultaram na dispersão do homem ao pensamento de Deus. Somente a crença no Deus Trino, e a descrença de uma salvação no âmbito da filosofia pagã e da falsa teologia empregada é que teremos o grande desenvolvimento das nações do mundo. Com políticas justas "Porque esta é a aliança que depois daqueles dias Farei com a casa de Israel, diz o Senhor; Porei as minhas leis no seu entendimento, E em seu coração as escreverei; E eu lhes serei por Deus, E eles me serão por povo;" (Hebreus 8 : 10), um mundo de paz entre os eleitos: "Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas." (I Pedro 1 : 2) e vida eterna "E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna." (I João 2 : 25).

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Devocional: “Refugando o lixo”

“Eu as considero como esterco para poder ganhar a Cristo e ser encontrado nEle..Quero conhecer Cristo” Filipenses 3:8-10

Quando Paulo diz que considera as coisas que perdeu como “esterco” (ou “lixo” conforme a TEB), ele não quer dizer apenas que não lhes atribui nenhum valor, mas também que não tem mais aquelas coisas em mente.
Que pessoa normal passaria o tempo todo sonhando nostalgicamente com esterco? Porém, é isto que muitos de nós, de fato, estamos fazendo. Isto mostra quão pouco temos alcançado do verdadeiro conhecimento de Deus.
Não há espaço para idéias inúteis na mente dos que realmente conhecem a Deus. Eles não ficam pensando em como poderia ter sido. Eles nunca pensam nas coisas que perderam, mas apenas no que ganharam.
“Mas o que para mim era lucro, passei a considerar como perda, por causa de Cristo” escreveu Paulo. “Mais do que isto, considero tudo como perda, comparado com a suprema grandeza do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por quem perdi todas as coisas” (Fp 3.7-8).

Para meditar: Quais as suas “posses” valiosas que devem ir para o lixo? Escreva uma oração “lançar ao lixo”. Leia Filipenses 3:4-6 para obter sugestões.



-- Por J.I.Packer no devocionário “O conhecimento de Deus apo longo do ano”--

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Cristianismo, colocando a matemática no seu lugar

Postado por Antonio Ronys


Introdução

A matemática sempre esteve presente na vida do homem,e o mesmo,sempre precisou dela no seu dia a dia.No início, a matemática era usada pelas antigas civilizações como a suméria, a egípcia, e a babilônica em necessidades diárias. Essas civilizações de início não consideravam a matemática uma disciplina em si, para eles os números e as figuras geométricas eram apenas instrumentos para fins práticos,a geometria antes dos gregos era puramente experimental e que os gregos foram os primeiros a introduzir o raciocínio dedutivo.Foram os gregos antigos, iniciando com Pitágoras e Tales de mileto no século VI A.C, que sistematizaram pela primeira vez os critérios práticos da matemática,pois os mesmo viajavam de sua terra ao Egito para ver o que havia de novo em matéria de geometria.Relatos mostram que o “teorema de pitágoras” já existia a muito tempo na Babilônia,mas foi Pitágoras que sistematizou.

Os gregos também desenvolveram uma metodologia para matemática e no meio desse curso eles fizeram perguntas epistemológicas, como: De que maneira buscar as verdades matemáticas? Ou como saber de fato suas verdades? A resposta apareceu. Os gregos disseram que o conhecimento infalível podia ser obtido ao se começar com alguns axiomas fundamentais e auto-evidentes e deduzia a partir deles um conjunto de verdades, método conhecido como método axiomático. Uma das figuras que se destacou foi Euclides com seus postulados e axiomas concernente a geometria, que durante quase dois mil anos vem sendo chamado como verdades auto-evidentes. Esse foi o legado deixado para a cultura ocidental.

Segundo Pitágoras, e conseqüentemente Platão, a matemática faz parte de um mundo ideal (uma esfera de princípios, idéias ou formas), segundo os mesmos, para se ter o conhecimento do mundo ideal (matemática), não podemos apenas examinar o mundo material, pois segundo seus pressupostos, a matéria contém características, atributos independentes que faz com que entre em conflito com o mundo das formas, gerando assim uma idéia que a matéria não está em harmonia com matemática (mundo das idéias).

O mundo das idéias de Platão fazia uma dicotomia entre “dois mundos” um perfeito(patamar de cima),e outro com imperfeição(patamar de baixo),ou seja,aquilo que temos aqui na terra tem apenas sombra da perfeição do que há no “mundo das idéias”,segundo esse pressuposto,antes de uma forma existir,a sua idéia já existe,mas que a forma tem algumas propriedades independentes que faz com que elas não assuma a forma perfeita.Pensando assim,Platão tentou explicar “o caos” que existe no mundo,então para Platão e seus seguidores ficava difícil harmonizar a matemática que era considerada do patamar de cima com o mundo físico.

Então que relação tem a matemática com o mundo físico? há ou não harmonia entre a matemática e o mundo físico? Somente o pressuposto cristão soluciona esse paradoxo proposto pelos gregos, considerados os pais da matemática. Um Deus poderoso e inteligente, criativo que criou o mundo com leis coerentes e apreensíveis, este pressuposto bíblico deu vida aos trabalhos científicos, especialmente depois da reforma protestante onde os reformadores rejeitaram o dualismo natureza/graça da igreja medieval e começaram a ensinar que é possível honrar o criador ao estudar sua criação, pois um Deus racional criou o mundo com uma estrutura coerente.

O pressuposto cristão deu uma alavancada. Os antigos cientistas não eram totalmente coerentes com o protestantismo histórico, mas a base de suas idéias estava em consonância com o que o cristianismo diz em relação ao mundo criado (Sl 19:1). Observe o que Isaac Newton (1643 – 1727), que era anglicano e acreditava que Deus criou o mundo com leis perfeitas e que o mundo físico está em correspondência com essas leis, disse em sua obra General Scholium: “o belíssimo sistema de sol, de planetas, e de cometas só podem ter se originado do desígnio e domínio de um ser inteligente e poderoso”. Quem pensa que ciência e religião são antagônicas, está enganado, seu equívoco está em não conhecer o Cristianismo de forma completa.

Nos dias de hoje há uma dicotomia entre fato e valor, colocando o cristianismo no patamar de “valor” e não como uma verdade absoluta que é. A verdade é que não podemos entender, de fato, figuras como Newton, Descartes ou Cuvier sem investigar as idéias religiosas e filosóficas que impulsionaram os seus trabalhos científicos.